Margem Sul - Por Marco Soares
Não queria falar dos meus gostos pessoais, nem de nada com que só eu me identificasse. Por isso, resolvi falar de um tema que, penso, afecta a todos.
Eis algumas opiniões mais fortes que ficaram, retiradas dum blog que encontrei:
Maria Emília Sousa (Presidente CM Almada)
Aeroporto na margem sul seria mais proveitoso. Melhores acessibilidades
Margem sul tem 1/4 da população portuguesa
Esforço de desenvolvimento dos transportes
Presidente da CM Barreiro e Presidente da Junta Metropolitana de Lisboa
Portagens de borla em Agosto na 25 Abril?
Porquê? Ou em todas as portagens do país, ou em nenhuma.
Administradora da Fertagus
83% dos passageiros viajam sentados mesmo em hora de ponta
Esforço na qualidade do serviço quer em termos de horários quer em termos de manutenção das carruagens quer em termos de segurança dos passageiros.
Utilização de comboios duplos para maior capacidade e fluidez de pessoas.
Se repararem, a grande temática debatida aqui foi sem dúvida as acessibilidades, e não é para menos. Felizmente corro para Setúbal diariamente ao contrário do trânsito habitual, mas aposto que alguns de nós se terão de deslocar para Lisboa diariamente e não estarão muito satisfeitos com a situação.
No entanto, se virmos bem, até tem havido evolução nesta matéria. Se compararmos com a nossa situação de há 10 anos atrás:
- Temos mais uma ponte sobre o Tejo,
- Mais uma via ferroviária até à capital,
- E temos em curso um projecto do MST (Metro do Sul do Tejo) a avançar – embora neste último ponto, haja muito para dizer, pois está-se a transformar em mais uma típica obra portuguesa onde alguém está a meter dinheiro dos contribuintes ao bolso, dando portanto prejuízo, e a obra está parada.
Mas será que qualidade de vida se resume a Acessibilidades? Penso que não.
Temos então duas grandes zonas comerciais que fizeram com que deixássemos de ter de nos deslocar a Lisboa para ir ao cinema ou a fazer compras, temos mais infra-estruturas desportivas, têm aparecido aqui e ali algumas zonas de restauração e de animação nocturna interessantes... Ou seja, a Margem Sul do Tejo tem-se tornado num local mais atractivo para viver, estando cada vez mais independente da capital situada na sua margem norte.
Caminhamos portanto no bom sentido, certo? Errado.
Na minha opinião, estas são evoluções naturais e quase obrigatórias pelas quais na sua maioria, o Governo e algumas entidades privadas são responsáveis. Mas a que preço?
As Câmaras, no debate que acima referi, queixam-se que têm pouca margem de manobra, porque não têm capacidade financeira para responder aos pedidos dos seus munícipes. De facto, há questões que só o Governo pode responder, como a criação de uma nova Ponte, ou a sua intervenção em projectos como o MST, mas isso não desculpa anos e anos de má gestão financeira. Agora que houve uma ligeira redução no Orçamento para as administrações locais, todos gritam de desespero, quando andaram anos e anos a fazer mau planeamento urbanístico, aprovando e ganhando dinheiros ilícitos com obras mal estruturadas, mal planeadas mas muito bem pagas. Das histórias de corrupção nas nossas Câmaras, não devemos saber nem metade, mas os problemas que ficaram a descoberto estão à vista.
Falo de urbanizações onde se constrói o maior número de prédios possível no menor espaço, com qualidade arquitectónica duvidosa, esquecendo a criação de espaços verdes, boas acessibilidades ou de estacionamento (como é o caso precisamente de Santa Marta de Corroios). Falo de uma orla costeira lindíssima, mas muito mal aproveitada e cada vez mais degradada como é o caso da Costa da Caparica. Falo de falta de segurança na maior parte das localidades, e da existência de quase “guettos” em algumas zonas. Falo de um mau funcionamento geral da máquina Municipal no que toca a atendimento público e à gestão do seu pessoal.
Falta um plano geral estratégico que tenha como verdadeiro objectivo a Qualidade de Vida dos habitantes, sem politiquices e sem inaugurações à pressa antes das eleições autárquicas.
Só para terminar, deixo-vos um bom exemplo: Montijo.
Para quem não conhece, deixo-vos o convite a darem lá um pulinho e a conhecer a cidade. Como todos sabemos, o Montijo até há uns anos atrás era uma zona com pouca densidade populacional e conhecida pelas touradas e pouco mais. A verdade é que a ponte Vasco da Gama veio dar um valente empurrão ao concelho. O Montijo tornou-se uma lufada de ar fresco para quem pretende morar nos arredores de Lisboa e isso atraiu a construção civil a criar novas urbanizações. Mas nem por isso os dirigentes autárquicos se deixaram iludir por esta “mina”. As novas zonas urbanísticas estão muito bem pensadas com boas estradas com boas avenidas dividindo várias zonas importantes, vários locais com passadeiras bem iluminadas e estacionamentos bem distribuídos; urbanizações bem estruturadas com pequenas zonas verdes em frente, com boa qualidade de construção e arquitectonicamente interessantes; e existência de diversas zonas comerciais inseridas nas zonas de habitação, para além do Forum Montijo, importante centro comercial da zona. Com o dinheiro ganho com este investimento, ainda sobrou para a requalificação da zona histórica e ribeirinha da cidade. Um exemplo de boa gestão e de bom trabalho autárquico.
Esta é apenas a minha opinião, e quero deixar bem claro que não sou apoiante deste ou daquele partido. Trata-se de uma visão singular de habitante que sou desta zona, e observador da evolução da mesma. Espero que seja ponto de partida para um momento de crítica e de outras opiniões sobre um assunto que nos afecta a todos.
Marco Soares.
2 comentários:
uma coisa tão bem escrita e ninguém diz nada...
Ao ler a parte em que a senhora administradora da Fertagus diz que "83% dos passageiros viajam sentados mesmo em hora de ponta", deu-me uma enorme vontade de mandar este texto para a DECO.
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